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Ética dos Antigos X Ética dos Modernos

Atualizado: 3 de jul. de 2020

A filosofia antiga sofre uma transformação pontual a partir do período renascentista, com os modernos, há duas drásticas mudanças que representam essa quebra, sendo elas: o colapso da compreensão de que existiria um propósito definidor e a noção de dever.


Filosofia dos Antigos

Platão traz a felicidade como o propósito definidor da vida humana (sumo bem),


por meio da busca do conhecimento, o filósofo enaltece esses pensamentos quando fala sobre o Esquema da Linha Dividida(processo de conhecimento) e a Alegoria da Caverna. Nesse contexto, iniciamos no mundo das sombras (mundo sensível), gerado por objetos que passam pela fogueira. Ao sair dessa realidade, se rompe com esses pensamentos e chega ao mundo das ideias, o qual atingimos o conhecimento, assim buscando a felicidade através dessa virtude. Platão aborda o tema da justiça com uma discussão dada por Sócrates, Céfalo, Polemarco e Trasima, o filósofo conclui que alguém justo e virtuoso era aquele capaz de viver em harmonia consigo e com os demais membros da cidade. Ao mesmo tempo que capaz de executar a função que lhe era determinada, realizar a qualidade inerente a seu caráter e sua alma.


Aristóteles, traz a concepção de felicidade como objetiva, depende do preenchimento e alcance de determinado critérios e é independente da expressão (sentimentos subjetivos), a ética está voltada ao buscar viver bem com integralidade. Também, afirma que a base para a busca de uma vida com felicidade e excelência é a vida virtuosa, sendo ela as virtudes éticas (justiça como meio termo) e dianoéticas (desenvolver caráter e qualidades). A grande diferença dele de Platão é que o conhecimento é essencial, mas é necessário aplicá-lo (pragmática).


Filosofia Cristã

As concepções de filosofia moral tiveram algumas alterações, a partir do século I. Santo Agostinho, defendia uma ideia que a filosofia não tem uma importância autônoma, estava voltada ao processo de iluminação divino. A filosofia Cristina passa a ser entendida exclusivamente na presença do Deus Cristão, portanto trazer o pensar racional como um método para o desenvolvimento da fé. Santo Tomás de Aquino, radicaliza o pensamento de Agostinho, da filosofia existir de maneira autônoma, devendo ser um simples caminho para o alcance da fé, definindo que apenas a teologia é capaz de resolver problemas (compreensão real de Deus). Por influência de Aristóteles, para Tomás se dispõem necessário o apreço pelo conhecimento produzido no mundo real e buscar provas concretas da existência de Deus no plano terreno (Beatitude). A busca pela felicidade continua como um propósito definido até aqui, a distinção seria a presença e compreensão de Deus.


Filosofia dos Modernos

Por cerca de 2000 anos a humanidade acreditou que a passagem pela existência era a busca de um propósito, possuindo uma vida predestinada, com um propósito justificado para trazer sentido à vida. Com o Renascimento (séc. XV-XVI), a humanidade muda a compreensão que tem de si e do mundo, quebrando um paradigma, por causa de fatores como: a descoberta do novo mundo(1492), queda de Constantinopla(1453) e o início da ciência moderna(estabelecendo que não existe um propósito). Isso trouxe questionamentos da razão de estarmos aqui, o que seria a coisa certa a fazer e como deve-se agir diante um dilema. A era moderna, se preocupa com a moralidade e como estabelecer padrões minimamente aceitáveis de convivência. Nesse sentido, há 3 Teorias Modernas da Moralidade, Ética Kantiana, Teoria do Contrato Social, Utilitarismo. A Ética Kantiana define que as escolhas concretas devem se preocupar com o respeito aos princípios abstratos universais que determinem as nossas ações, já que o valor moral deriva de sua máxima, e não das suas consequências. Excluindo a razão como papel instrumental e trazendo a deontologia, o que deve ser feito, o que é moralmente correto e obrigatório, não dependendo de nenhuma experiência sensível. O Utilitarismo se contrapõem a noção de Kant sobre a moral, traz por meio de Bentham e Jonathan Stuart Mill, a consequência como base das decisões concretas, dando importância às experiências anteriores. Fazer escolhas que garantam mais prazer que sofrimentos na vida, aumentando o bem estar geral e maximizando a felicidade. Portanto, a era moderna rompe com as perspectiva dos antigos com a chegada de novas descobertas e questiona o propósito, o sentido da vida e traz a moralidade com as escolhas corretas em dilemas morais que seja suficiente para a convivência entre pessoas.


Por: Fernanda Braun Lara

 
 
 

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